05/02/2019 – Alumínio espera retomar níveis anteriores à crise

05/02/2019
Em 2018, o setor de alumínio experimentou uma retomada indicativa de que o pior momento ficou para trás. A expectativa agora é de que com um crescimento mais consistente da economia brasileira, o mercado local atinja os níveis de 2013, melhor momento até então.

Segundo números da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), o consumo de alumínio no país cresceu 11% no acumulado de janeiro até setembro de 2018, para 1,031 milhão de tonelada. Com base nesse desempenho, a associação projeta um consumo total de cerca de 1,4 milhão de toneladas para 2018, crescimento de quase 10% na comparação a 2017. Os resultados finais devem ser divulgados pela entidade em março.

«Sem dúvida o desempenho de 2018 é positivo, é um sinal de recuperação. Ainda estamos abaixo do recorde de 2013, tivemos três anos de queda, então ainda não alcançamos 2013», afirma Milton Rego, presidente da Abal.

A entidade atribuiu o desempenho do ano passado ao mercado local, com o avanço de dois dos três principais consumidores de alumínio no país, os setores de transporte e embalagens. Outro cliente importante, a construção civil, ainda sofreu no ano passado com os efeitos da crise. Os três segmentos representam 80% do consumo brasileiro da commodity.

Para os transportes, lembra Borges, o crescimento pode ser atribuído não só à retomada das vendas de automóveis de passeio, como também ao fornecimento do metal para a parte de cargas. Outro setor que vem despontando como um bom mercado para o alumínio é o de energia, com o fornecimento do material para transmissão e painéis fotovoltaicos.

Para este ano, a Abal crê que, caso se concretize o crescimento esperado para a economia brasileira em 2019, o setor pode se aproximar dos patamares pré-recessão.

«Vejo com otimismo o aumento do consumo de alumínio, é sempre mais que duas vezes o PIB. Ele cresce muito mais que a economia. Um crescimento de 2,5% do PIB vai representar entre um avanço de 6 e 8%», afirma Rego.

O crescimento no consumo, entretanto, não deve beneficiar apenas o mercado local, com as importações preenchendo parte significativa da demanda. Rego lembra que já em 2018, o crescimento do mercado interno foi de cerca de 7% e as importações avançaram 30%.

O mercado local, entretanto, deve ganhar bons impulsos esse ano, com três investimentos já anunciados no fim do ano passado.

O mais significativo vem da Novelis, fabricante global de laminados de alumínio, que desembolsará R$ 650 milhões para ampliar a capacidade de produção de chapas e de reciclagem de sucata do metal em sua fábrica em Pindamonhangaba (SP).

A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Vorantim, investirá R$ 30 milhões para ampliar em 50% a sua produção de tarugos de alumínio. A projeção é alcançar as 270 mil toneladas por ano a partir de 2020.

Além disso, a Recicla BR, um dos principais nomes da reciclagem de alumínio no país, vai inaugurar uma fábrica de refundição em Betim (MG), além de quatro novos centros de coleta.

«Transportes e embalagens são os principais consumidores de alumínio não só no Brasil, mas também nos países de economia avançada. E esses setores vão aumentar sua taxa de consumo», comenta o representante da Abal.

Nos transporte, o metal é elemento para ganho de eficiência. Nas embalagens, a preocupação ambiental, ajuda o alumínio. «As pessoas estão preocupadas com resíduos urbanos e o alumínio, por conta do valor da sucata, é o produto que mais se adapta a isso, melhor que papel, vidro e plástico», conclui Borges.
Fonte: Valor Econômico