14/02/2019 – Desemprego no Brasil deve ficar em 12,2% em 2019, projeta OIT

A taxa de desemprego brasileira deve ficar em 12,2% em 2019 e 11,7% em 2020, segundo projeções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgadas nesta quarta-feira em relatório intitulado «Perspectivas do Emprego e Questões Sociais 2019».

Em 2018, a taxa de desocupação média ao longo do ano ficou em 12,3%, vindo de 12,7% em 2017, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no fim de janeiro, com base em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Com isso, o número de pessoas sem emprego no Brasil deverá ficar em 12,7 milhões em 2020, sem melhora na qualidade do emprego. Segundo o IBGE, o país tinha no fim do ano passado 12,8 milhões de desocupados, quase o dobro do que quatro anos antes.

As projeções da OIT são baseadas nas expectativas de crescimento da economia na América Latina e Caribe, de 2% em 2019 e 2,6% em 2020. A entidade prevê crescimento para a economia brasileira de 2,4% em 2019.

A recuperação regional não deve resultar no mesmo ritmo de melhora no mercado de trabalho, destaca a OIT. Apesar da retomada econômica, a informalidade e a má qualidade do emprego continuam pesando na América Latina.

Nada menos do que 53% da população empregada atuam no setor informal, o que implica salário pequeno e limitado acesso a proteção social, benefícios vinculados à família e financiamento externo, diz a organização.

No Brasil, essa taxa é de 46% e no México, de 53,4%. No total, 2 bilhões de pessoas ocupavam um trabalho informal em 2016, representando 61% da mão de obra mundial.

Enquanto a criação de emprego aumenta no Brasil, a tendência é de o número de pessoas sem trabalho ter ligeira alta em Argentina, Chile e Peru, apesar de esses dois países continuarem a ter crescimento entre 3,4% e 4,2% neste ano.

A maior parte dos empregos criados na América Latina e Caribe nas últimas décadas foi no setor de serviços, que representa hoje 40% do total de empregos na região, comparado a 12% na manufatura. Com exceção das atividades financeiras, a informalidade continua propagada nos vários segmentos de serviços, diz a OIT.

A região, com uma das maiores taxas de informalidade no emprego, tem também uma das mais elevadas incidências de «pobreza multidimensional» (múltiplas carências).

O número de pessoas na pobreza extrema ou moderada na América Latina, vivendo com algo entre US$ 1,90 a US$ 3,00 por dia, deve em todo caso cair ligeiramente de 19,6 milhões neste ano para 18,7 milhões em 2020, se as boas perspectivas econômicas se confirmarem.

Globalmente, havia 172 milhões de desempregados em 2018, o que corresponde a uma taxa de 5%. Foi necessário apenas um ano para o desemprego mundial passar de 5% em 2008 para 5,6% em 2009, mas o retorno a níveis de antes da crise financeira global demorou nove anos, destaca o relatório.

Na hipótese de uma situação econômica estável, a taxa de desemprego deverá continuar a baixar em numerosos países, avalia a OIT.

No entanto, a entidade nota que riscos macroeconômicos aumentaram e já têm um impacto negativo no mercado de trabalho em vários países. O número de desempregados deve atingir 174 milhões de pessoas em 2020 em razão do aumento da população ativa.

Para a OIT, as más condições de trabalho são o principal problema mundial do emprego. A maioria de 3,3 bilhões de pessoas que tinham um emprego em 2018 sofre com ausência de segurança econômica, de bem-estar material e de igualdade de chances. Como agravante, novos modelos de negócios, favorecidos pelas novas tecnologias, atropelam normas do trabalho.

«Ter um emprego não garante sempre se ter um modo de vida decente», diz Damian Grimshaw, diretor de pesquisa na OIT. «A prova é que 700 milhões de pessoas vivem numa situação de extrema pobreza ou pobreza moderada, embora tenham um emprego.»

A desigualdade de gênero no mercado de trabalho continua forte, com participação de apenas 48% das mulheres e 75% dos homens. Ou seja, cerca de três pessoas entre cinco, dos 3,5 bilhões de pessoas que compõem a população ativa mundial em 2018, eram homens.

Fonte: Valor Econômico